Hoje resolvi abrir as gavetas do tempo.
Deparei com pilhas de recordações,
muitas delas nem ao menos me lembrava.
Era como se a vida me perguntasse
por onde andei.
A cada laço que desatava, meu passado
tornava-se cada vez mais presente.
Fotos antigas, amareladas, de pessoas
a quem tanto amei, momentos vividos
que ficaram eternizados....quanta saudade.
Estava ali, meu primeiro diário,
meu amigo, confidente, quantos
sonhos, projetos.
Ao virar uma página encontrei
a primeira rosa que ganhei....
Da mesma maneira que a coloquei,
tantos anos ali, presa entre duas
folhas de papel, sem vida, sem cor,
mas ainda lhe resta um leve perfume.
Encontrei também várias cartas de amor,
algumas que nunca li,
outras que li e reli tantas vezes,
que as letras estão apagadas
pelas lágrimas que derramei sobre elas.
Diante daquelas gavetas do tempo
vi toda minha vida passar,
planos não realizados, amores frustrados.
Sonhos de menina que a mulher
não concretizou.
Peço perdão a criança que
deixou de sonhar....
A ponte do castelo
vai subir.......
preciso me despedir.