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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Canção da Plenitude








Não tenho mais os olhos de menina
nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)
O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A Primeira Vez









Não te quero na cama logo na primeira vez.
Primeiro sorria e me fale bastante de você.
Quero que te saborear aos poucos, devagar. 
Não quero às pressas, vem bem devagarinho.
Quero degustar lentamente cada pétala tua. 
Lamber o teu doce orvalho em forma de suor. 
Não se entregue a mim logo na primeira vez. 
Lembre apenas que sou atalho para o amor. 
Não me revele seus milagres nem segredos. 
Deixe que eu descubra tirando a tua roupa. 
Permita que eu percorra todo teu corpo.
Só depois, quando estiveres pronto pra mim,
Faremos amor todos os dias de nossas vidas, 

Como se fosse, 
A primeira vez.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Te espero



Te espero.

Vejo a noite chegando,
a lua apontando no céu,
e eu em minha janela
a tua espera.

Meus olhos percorrem
todas as ruas, 
pessoas que passam,
mas onde está você?

Tenho medo de 
mais uma noite sozinha,
mais uma noite de solidão,
silêncio.

As horas passam 
mais uma vez, 
e você não está nelas.

Insisto,
olho para o céu e lá 
está uma estrela cadente.
Faço-lhe um pedido
que traga de volta 
aos meus braços, 
o meu amor perdido.


Marilú


sexta-feira, 20 de julho de 2012

FELIZ DIA DO AMIGO


FELIZ DIA DO AMIGO A TODOS MEUS QUERIDOS AMIGOS E AMIGAS

AMO TODOS VOCÊS


dia-do-amigo1

Marilú

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Reencontro






 Às vezes, esqueço de mim.
 Mas hoje, marquei um encontro comigo.
 Fazia tempo que não me olhava de frente, de perto.
 Não posso me atrasar...
 Estou ansiosa pelo encontro!
 É que de repente bateu uma saudade louca de tudo,
 dos amigos antigos, das pessoas que passaram pela minha vida,
 até dos amores que não deram certo, da infância,
 do tempo que que eu deitava a cabeça no travesseiro
 e só tinha coisas boas pra pensar, nada de preocupações, decepções...
 E ali eu tinha certeza de ser feliz!
 Ali eu aprendi a ser feliz, e segui praticando a lição, a duras penas.
 Só de pirraça, só por teimosia, decidi ser feliz pra sempre. 
E tenho sido, mesmo quando não sei perceber. 
Não tenho saudade de ser feliz, tenho saudade de quem eu sou quando reconheço isso.


Marilú

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Criança do Sertão e a seca...



Sou criança do sertão,
da casinha de sapê,
falta tudo, desde água,
sobra amor e muita fé.

Na família onde nasci,
pai e mãe e oito irmãos,
só não falta a esperança,
que dias melhores virão.

Mainha saí cedo pra roça,
ligeira pra capinar,
passa o dia inteiro fora,
para a noite retornar.

Eu e meus irmãos pequenos
com fome a esperar,
o que será que teremos
hoje para jantar?

As vezes de mãos vazias,
com os olhos marejados,
ela olha e diz....
hoje não consegui nada.

Mainha olha o fogão de lenha,
sem nada pra cozinhar,
mistura água e farinha
e nos dá para tomar.

Mas no fundo daquele olhar,
tem muito mais que alimento,
tem amor, dedicação,
que supera o sofrimento.

Sou criança, sou poesia,
de uma terra castigada,
mas tenho certeza que um dia
eu serei recompensada.

Crianças do meu País,
nunca deixem de sonhar,
que o futuro nos espera
para o mundo melhorar.

Que todas as crianças do mundo 
possam ter os mesmos direitos,
direito a vida,
direito a alimentação,
direito a saúde,
direito de ser criança.

Marilú


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Quanta saudade você deixou





Quantos projetos ficaram apenas no papel, 
quantos sonhos não realizamos, 
quantas viagens deixamos de fazer.

Quantos por do sol deixamos 
de ver juntos do nosso 
jardim.

Quantas estrelas deixamos 
de contar.
Quantas luas cheias deixamos
de admirar.

Quantos dias de  
felicidade passamos a 
beira mar, 
tudo era motivo 
para rir, era pura alegria
de viver.

Quantas noites de amor
deixamos de viver. 
Quantos beijos ardentes 
deixamos de trocar.

Quantas palavras ficaram 
sem ser ditas,
quantas frases inacabadas.

Quanto amor você 
deixou no meu coração, 
sinto tua falta,
 e quanta
saudade 
você deixou em mim.


Marilú